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SAÚDE

Entenda a prevalência dos casos da Covid-19 em indígenas da região


POR: Gabriela Filipo Krug
31-07-2020 - 15:31
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Internet

O Coronavírus é uma doença que chegou ao Brasil há pouco tempo, mas já causou milhares de vítimas. E entre os povos indígenas não é diferente. Tanto nas cidades da região de Tapejara, como em outros lugares do país, muitos indígenas já foram contaminados com o vírus da Covid-19.


Em Água Santa, onde há uma comunidade indígena, foi contabilizado até ontem (30), quatro pacientes ativos da Covid-19, 23 indígenas que já passaram pela doença e estão recuperados, além de cinco casos suspeitos e uma pessoa hospitalizada.


Já em Charrua, não há informações do número exato de indígenas infectados, pois, segundo os responsáveis pela contagem, não são separados dados de pessoas brancas e indígenas, tudo é contabilizado junto. O número de óbitos até agora em Charrua é de 4 pessoas. 


Conforme informações da médica que está na coordenação da Covid-19 do Hospital Santo Antônio, Luíza Mainardi, o que foi notado é que os indígenas de Charrua, que representam o maior número das internações em Tapejara, apresentam quadros como obesidade, alto consumo de álcool e outras doenças, principalmente diabetes.


A médica também afirmou que muitos não estão seguindo as recomendações do Ministério da Saúde, como isolamento e distanciamento social, uso de máscara, de álcool gel, entre outras medidas. Além disso, a doença não é tão prevalente nos indígenas de Água Santa, sendo assim, segundo Luíza, a Covid-19 provavelmente não está ligada ao fato de serem indígenas, mas sim aos cuidados que cada um tem com a doença. 


Água Santa

Os indígenas que tiveram contato com o vírus em Água Santa apresentaram sintomas leves e isso se deve, segundo a enfermeira Julia Sperotto, pela comunidade ter 100% de cobertura vacinal.


Devido aos confrontos que ocorreram nos últimos dias no município, a comunidade indígena acabou se dividindo e parte da população está morando na cidade e sendo atendida no posto de saúde local. A equipe da Secretaria Especial da Saúde Indígena (Sesai) passou todas as informações para o tratamento, dispensando as medicações de uso contínuo e solicitando a distribuição de máscaras. 


Além disso, a assistência social de Água Santa conseguiu um local temporário para as famílias que saíram da comunidade e disponibiliza roupas, alimentos, produtos de higiene, colchões e cobertores.


Charrua

Segundo a Secretária de Saúde, Janete Derengoski, em Charrua foram realizadas algumas reuniões com a Sesai, com a Funai, coordenadoria de saúde de Erechim, lideranças indígenas e a equipe de saúde do município, para discutir estratégias de diminuição do contágio do vírus. 


A partir desta reunião, a Sesai apresentou um plano de contingência, que se trata da instalação de leitos na escola Fág Mág, escola estadual que vai ser cedida para a colocação dos leitos dentro da terra indígena. 


A estrutura vai ter mais uma equipe de saúde para atender a população e disponibilizar alimentos para aqueles que ficarem isolados no local. Além disso, outra equipe de Passo Fundo também já realiza trabalhos na comunidade. O funcionamento, no entanto, ainda não tem uma data certa de início. 


Dados no Brasil

De acordo com o boletim epidemiológico divulgado na manhã de hoje (31) pela Sesai, o Brasil registra 15.419 casos confirmados da Covid-19 entre indígenas, além de 279 óbitos. No entanto, os dados da Sesai, não levam em consideração os óbitos de indígenas em contexto urbano.


A Sesai defende que o atendimento a essa parte da população indígena, que vive no contexto urbano, seja feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Esta posição contraria as recomendações do Ministério Público Federal e as reivindicações de organizações indígenas, que defendem que todos os indígenas, residentes em terras tradicionais ou em espaços urbanos, devem ser atendidos pela Sesai.


Conforme os números levantados pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), considerando todos os indígenas do país, o número de mortes pela doença contabiliza 612 vítimas. O número de casos confirmados é de 21.217 e a doença já afeta 145 povos indígenas no Brasil. 


Na única coletiva realizada à respeito da saúde indígena diante da pandemia, o Governo Federal informou que a Sesai monitora cerca de 750 mil aldeados e que há 1 milhão de indígenas no país – ou seja, 250 mil vivem em áreas urbanas.


Pesquisa sobre prevalência da doença entre indígenas

Um estudo coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) revelou que a prevalência do coronavírus Sars-Cov-2 entre a população indígena urbana (5,4%) é cinco vezes à encontrada na população branca (1,1%).


O estudo divulgado no dia 2 de julho avaliou apenas moradores de cidades brasileiras e não entrevistou indígenas que vivem em aldeias. Pretos e pardos também apresentaram maior proporção de testes positivos que brancos, respectivamente 2,5% e 3,1%.


Para calcular essa relação entre os grupos, a equipe de pesquisadores considerou uma amostra de 89.397 pessoas submetidas a testes sorológicos – que identificam a presença de anticorpos para a Covid –, entrevistadas durante as três fases do estudo Epicovid19 em 133 cidades.

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