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Opinião

03.05.2019

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Não quero falar de esquerda ou direita

João Paulo Gardelin, professor do Curso de Administração - FEAC/UPF

As funções operacionais do Estado (Governo e Administração Pública) se caracterizam historicamente, num primeiro momento, com o exercício do poder para manter a ordem social e, posteriormente, adquire uma dimensão mais social incorporando novos serviços e atendendo a novas demandas (DIAS, 2019). Em meio a essa história, vimos prosperar o liberalismo, o estado de bem-estar social, e o neoliberalismo; e com eles o advento das ideologias mais à esquerda e mais à direita no espectro político - e consequentemente toda aquela polarização que contemplamos nas redes sociais.

 

Mas como eu dizia no título, não quero falar de esquerda ou direita. Afinal de contas, governos de esquerda ou direita podem ser eficientes ou ineficientes; responsáveis ou irresponsáveis; burocráticos ou gerencialistas. E é sobre este último aspecto que eu gostaria de falar!

 

Ao longo desse tempo (últimos 120 anos, mais ou menos) a ciência concebeu basicamente duas formas de Administração Pública, cada qual com sua maneira de gerir a coisa pública de forma “responsável” ou “eficiente/eficaz” para os padrões de cada época: a burocracia e o gerencialismo.

 

A primeira (burocracia), implementada no Brasil por Vargas no início do século passado - e rearranjada pelos militares na metade do mesmo século - se inspirava em organizações militares e aperfeiçoava (para os padrões da época) os modelos taylorista/fordista: organizações hierarquizadas, formais, centralizadas e calcadas em normas e regulamentos rígidos e mecanicistas. Esse modelo prosperou e fez prosperar, até os anos 80/90 muitas organizações privadas, indústrias, e a própria administração pública em diversos países. As licitações, o advento do concurso público, e a natureza de estabilidade dos cargos são consequências desse modelo em nosso país.

 

Tudo ia relativamente bem até que chegaram os novos tempos, e com ele a crise do petróleo. As consequências foram muitas: recessão, desemprego, queda no consumo, queda na produção. A partir daí as empresas se remodelaram e as indústrias passaram do modelo fordista para o toyotista, a qual tinha como pressupostos a descentralização, a flexibilização de suas operações, com cargos e funções mais dinâmicos, sendo “mudança” e “adaptação” as palavras-chave desse novo modelo. Já no âmbito do setor público, que também sofria as consequências da crise, a ciência concebia uma nova forma de administração: o gerencialismo, que, guardadas as proporções, seria a toyotização do Estado, possível somente através de reforma de Estado.

 

No Brasil, de lá pra cá: Collor até tentou aproximar o modelo de gestão de pessoas do setor público com o modelo do setor privado, reduzindo os níveis de estabilidade dos servidores; FHC até criou um ministério específico para a reforma do Estado, mas não passou disso; Lula e Dilma flertaram com outras reformas; Temer pouco tentou; Bolsonaro quer a nova previdência ainda em 2019 mas por enquanto a única cara que deu para seu mandato foi a militar (como nas burocracias). Ou seja, pouco ou nada mudou no aspecto administrativo, passadas quatro décadas da crise do petróleo e do advento de novos paradigmas de administração pública.

 

Para não dizer que nada de gerencialista aconteceu/acontece cito alguns fatos recentes que a meu ver são positivos, se mostram responsáveis, e servem de alento: a) Marcel Van Hatten, deputado federal do NOVO/RS, gastou apenas R$9.764,51 de sua verba parlamentar enquanto os quatro deputados gaúchos que mais gastam (todos do PT) consumiram juntos quase R$400.000,00 - até meados de abril; b) Romeu Zema (NOVO/MG), governador de Minas Gerais, recrutou agentes para os cargos de confiança de seu governo através de um processo de seleção profissional; c) na Assembleia Gaúcha, os deputados Fabio Ostermann e Giuseppe Riesgo (NOVO/RS) aprovaram resolução que extingue o auxílio mudança para os parlamentares (medida que vai economizar R$2,8 milhões por mandato).

 

Ainda é pouco! As eleições de 2020 vem aí. Quiçá teremos oportunidade de escolher gestores municipais que pensem nas nossas prefeituras mais gerencialistas, dinâmicas, descentralizadas e eficientes.

 

* Por João Paulo Gardelin, professor do Curso de Administração - FEAC/UPF

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