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Mundo

25.01.2020 - 09:52

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Brasil e Índia assinam acordos de segurança cibernética, biocombustíveis e ciência

Foto: Reuters/Altaf Hussain

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, assinaram na manhã deste sábado (25), em Nova Déli, acordos de parceria entre os dois países nas áreas de segurança cibernética, biocombustíveis e ciência.

 

Os governos assinaram 15 acordos de cooperação, entre os quais, parcerias para ampliar investimentos e intensificar o uso e a produção de bioenergia e combustíveis como etanol, biodiesel, bioquerosene e biogás. Outro ato também incentiva a exploração de petróleo e gás entre os dois países.

 

Açúcar e etanol 

Antes da viagem à Índia, onde fica até segunda-feira (26), Bolsonaro falou sobre o interesse em ver a Índia utilizar mais etanol em seus combustíveis. Neste sábado, após a cerimônia de assinatura dos acordos, o presidente brasileiro voltou a tocar no assunto.

 

"O etanol, essa tecnologia nossa, vindo para cá, acaba nos favorecendo também porque daí se produz menos açúcar aqui e ajuda a equilibrar o mercado", afirmou Bolsonaro, que também cogitou a possibilidade de fabricação de carros flex na Índia por meio de empresas brasileiras.

 

Bolsonaro disse ter recebido do primeiro-ministro Narendra Modi pedido para que o Brasil retire um questionamento na Organização Mundial do Comércio (OMC) a respeito do açúcar.

 

No pedido à OMC, o Brasil argumenta que as políticas indianas de incentivo ao setor açucareiro local geraram prejuízos aos agricultores brasileiros e ajudaram a derrubar as cotações do produto no mercado internacional. Com os incentivos, as exportações de açúcar da Índia saltaram de 2 milhões de toneladas na temporada 2017-2018 para 5 milhões de toneladas em 2018-2019.

 

"Ele me disse que o açúcar comerciado para fora equivale a 2% do montante. Então, isso é pequeno. Pedi ao Ernesto Araújo para a possibilidade de rever essa posição do Brasil", declarou.

 

Outros acordos 

Na área de cibersegurança, Índia e Brasil se comprometeram a estreitar a troca de informações sobre o tema, respeitando as leis de cada país.

 

Os dois países também aceitaram aprofundar o acordo assinado em 2006 para cooperação tecnológica entre cientistas, instituições de pesquisa e de financiamento.

 

Um acordo também fortalece parceria no processamento de alimentos e na área agropecuária, e fortalece colaboração de produção leiteira.

 

Mais investimentos na área de pecuária era um dos principais interesses defendidos pelo premiê indiano Narendra Modi, em visita ao Brasil, em novembro do ano passado. Na ocasião, Bolsonaro apontou o desejo de ampliar a parceria nas áreas de biocombustíveis e ciência e tecnologia.

 

Deportados 

Na entrevista que concedeu em Nova Déli, Bolsonaro foi questionado a respeito dos voos procedentes dos Estados Unidos com brasileiros deportados pelo governo daquele país. Na madrugada deste sábado, chegou a Belo Horizonte um avião que partiu de El Paso, no Texas, com dezenas de brasileiros deportados.

 

O governo Bolsonaro tem facilitado a deportação de cidadãos que vivem irregularmente nos Estados Unidos, o que representa uma mudança em relação à política de governos anteriores.

 

"Qualquer país do mundo onde pessoas estão lá de forma clandestina, é um direito daquele chefe de Estado, usando das leis, devolver aqueles nacionais", declarou o presidente.

 

Questionado se poderia ajudar o governo norte-americano a identificar pessoas a serem deportadas, ele criticou a lei brasileira de imigração.

 

"Se você for ler a nossa lei de imigração, nenhum país do mundo tem isso o que nós temos lá. É uma vergonha a nossa lei de imigração. Fui o único a votar contra [quando deputado], foi simbólico, o único a discursar contra quando ela foi elaborada e votada lá. Fui muito criticado pela mídia. A pessoa chega no Brasil com mais direitos do que nós. Então, isso não pode acontecer. Afinal de contas, nós devemos preservar o nosso país. Se abrir as portas, o país pode receber um fluxo de gente muito grande", afirmou.

 

Visita à Índia 

Bolsonaro é convidado de honra de Modi para os festejos da República, neste domingo (26), em Nova Déli. O presidente brasileiro também deverá ir a Agra para conhecer o Taj Mahal, um dos principais pontos turísticos do país.

 

Ainda neste sábado, Bolsonaro deve se reunir com o presidente indiano Ram Nath Kovind e com o vice Venkaiah Naidu.

 

Na segunda-feira (27), antes da visita ao Taj Mahal, o presidente brasileiro terá um café com empresários indianos, no qual serão apresentadas oportunidades de investimentos em infraestrutura. Ele também participará de um seminário empresarial Brasil-Índia.

 

Segundo o Itamaraty, o Brasil deseja ampliar a venda de diferentes produtos para a Índia, um dos países mais populosos do mundo com mais de 1 bilhão de habitantes.

 

De acordo com dados do Itamaraty, o intercâmbio comercial entre o Brasil e a Índia totalizou US$ 7,02 bilhões em 2019. As exportações brasileiras ficaram em US$ 2,76 bilhões e as importações, em US$ 4,26 bilhões.

 

A Índia investe no Brasil nos setores de transmissão de energia, defensivos agrícolas e fabricação de veículos pesados. O Brasil investe em setores como motores elétricos, terminais bancários e componentes de veículos pesados.

 

* Por Nilson Klava, TV Globo

 
 

 

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