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Política

19.09.2019 - 16:43

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Temer defende que fala sobre 'golpe' foi usada 'fora do contexto'

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-presidente Michel Temer defendeu nesta quinta-feira que sua utilização da palavra “golpe” para se referir ao impeachment de Dilma Rousseff (PT) durante uma entrevista ao programa Roda Viva foi mal interpretada e usada "fora do contexto". De acordo com o ex-chefe do Executivo Nacional, o impedimento estava previsto em lei e, por isso, não foi golpe.

 

“Eu disse que nunca participei de golpe nenhum, a expressão foi essa. E, mais adiante, se você examinar a minha fala, verá que o ( jornalista Ricardo) Noblat até me disse: 'Então o senhor não é golpista, não se considera?'. Eu disse: 'basta ler a Constituição. Está dito que quando o presidente se afasta, o vice assume. Não tem golpe nenhum'. Mas é interessante. Há momentos em que digo duas vezes golpe e pegaram isso para dizer que houve golpe. É um equívoco. Lamentavelmente, pegaram a frase fora do contexto”, afirmou ao programa "Esfera Pública", da Rádio Guaíba. A entrevista de Temer ao Roda Viva foi transmitida na última segunda.

 

“Quando deixei o governo, tinha toda aquela história de golpe, golpista, e as perguntas lá (no Roda Viva) direcionaram para isso. Eu disse que jamais sou golpista, e também jamais trabalhei para derrubar a presidente. Então, quando eu digo que jamais participei, me refiro a questão do impedimento, do impeachment”, disse, ressaltando que, “tão logo começou o processo”, viajou para para São Paulo e só voltou três dias antes da votação na Câmara dos Deputados.

 

O emedebista também destacou que é alvo de críticas tanto de apoiadores da saída de petistas quanto da esquerda. Os primeiros argumentam que ele não se empenhou para tirar a mandatária, enquanto os segundos o chamam de golpista. Temer afirmou que não dá atenção aos comentários porque entende que as falas são, muitas vezes, “entusiasmadas e sem embasamento”.

 

“Uma verdade é que não trabalhei diretamente pelo impedimento. Você sabe que o primeiro a ser acusado é sempre o vice-presidente. Então, tomei muita cautela. Naquele tempo tinha movimento de rua. Eu percebia pelos deputados que um impeachment seria inevitável, mas me abstive. Dizer que era ligadíssimo ao PT é um equívoco brutal. Nos primeiros seis meses, não havia um lugar que eu fosse que não tinha um grupo petista gritando 'Fora Temer'", afirmou.

 

* por Correio do Povo

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